A Clínica
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LER / DORT
Psicologia da Performance
Curriculum Ivo Donner

LER / DORT

Computadores ajudam a vencer a batalha contra as DORT (LER).
New York Times, 21 de agosto de 1994.

Para empregadores alarmados com uma aparente epidemia de lesões em trabalhadores que utilizam o teclado do computador ou executam tarefas repetitivas, uma tecnologia emergente está levando a novas formas no diagnóstico e tratamento destes distúrbios.

A tecnologia conhecida como eletromiografia de superfície ou EMGs é baseada no conceito de biofeedback auxiliado por computador e está encontrando seu lugar nos programas de ergonomia de locais de trabalho em uma longa escala de empresas, incluindo a Apple Computers inc., Ford Motor inc. e L.L. Bean.

A tecnologia envolve a colocação de eletrodos na superfície da pele. Os eletrodos monitoram a atividade elétrica dos músculos durante o trabalho sem provocar dor. Diferentemente das antigas técnicas de biofeedback que, apenas podiam monitorar um grupo muscular de cada vez, a nova tecnologia pode monitorar meia dúzia de músculos simultaneamente.

Com a ajuda de um terapeuta especializado, os trabalhadores podem usar o sistema para descobrir e até mesmo eliminar movimentos que causam condições dolorosas como o desconforto no pulso chamando de síndrome do túnel carpal, bem como outras lesões por esforço repetitivo.

"É incrível. Eu costumava faltar ao trabalho vários dias ao mês, porque eu sentia muita dor", disse Karen Bourque, uma atendente do Rocky View Hospital em Calgary, Alberta que esteriliza instrumentos cirúrgicos e os coloca em bandejas em dúzias de operações diárias. Ela disse que antes do tratamento começar, suas mãos doíam a maior parte do tempo. “Quando eu fui monitorada com EMGs”, disse a Srta. Bourque "...eu vi o que eu fazia de errado e aprendi a mudar o que eu estava fazendo. Eu não perdi um dia sequer de trabalho desde o início do tratamento há três meses".

A Myosymmetries International Inc. de Calgary, que se especializou em serviços de EMGs está auxiliando os empregados do hospital a corrigir ou prevenir lesões por esforço repetitivo, ou LER. “É importante notar que o uso industrial para o EMGs vai além da simples reabilitação”, disse o Dr. Stuart Donaldson, fundador e presidente da Myosymmetries.

Outro cliente corporativo da Myosymmetries é a North Point, unidade de eletrônica da Ford Motors Company, que tem uma fábrica em Landsdale, Pa. o fabricante de componentes eletrônicos automotivos, usa a tecnologia para testar a dimensão da LER, como parte de seus procedimentos para determinar os pedidos de indenização por parte dos funcionários. A tecnologia também é usada para analisar as condições de trabalho na linha de montagem.

Tanto a fábrica da Ford como o hospital em Calgary, usam sistemas de EMGs desenvolvidos pela Thought Technology Ltda., uma companhia privada situada em Montreal, Canadá.

Eletrodos ligam o funcionário a um processador portátil de EMGs que transforma o sinal elétrico dos músculos em linguagem digital para computadores.

As unidades de processamento, que custam entre US$ 1.000,00 a US$ 4.000,00 são, por sua vez, ligadas a monitores computadorizados que podem custar até US$ 10.000,00.

O conjunto permite ao empregado e ao terapeuta estudar uma representação gráfica da maneira como mudanças na postura ou técnica de digitação por exemplo, podem reduzir lesões no pulso, enquanto ativam músculos tencionados no pescoço e nos ombros. Para pessoas que trabalham o dia inteiro em teclados de computador, é possível utilizar o sistema em modo de monitoração contínua. Em outros trabalhos, como o da Srta. Bourque, no Hospital Rock View, sessões iniciais de monitoração no trabalho, combinadas com acompanhamento, são a técnica preferencial para se assegurar que o trabalhador pode executar suas tarefas diárias sem dor.

É crucial estar-se apto a mostrar informações aos trabalhadores sobre seus movimentos enquanto eles estão realmente desempenhando suas funções e cuidando dos negócios“, disse o Dr. Dennis Ettare, um psicólogo clínico e pesquisador especialista em EMG com as lesões por esforço repetitivo no Repetitive Strain Institute, baseado em Daly City, Califórnia.

O instituto emprega médicos, cirurgiões, psicólogos, especialistas em ergonomia e terapeutas ocupacionais com clínicas no Vale do Silício, que chegam aos postos de atendimento com dores ou queixas típicas do usuário de teclado de computador.

O mercado para os equipamentos de EMGs está estimado em pelo menos US$ 20 milhões por ano com os serviços relacionados representando, talvez, algumas centenas de milhões de dólares a mais mas, executivos de indústrias dizem que o mercado pode crescer substancialmente à medida que mais empregadores adotem esta tecnologia para auxiliar os trabalhadores e evitar processos trabalhistas.

Kate Murphy

Adaptado com permissão do N.Y. Times, 21 de agosto de 1994.